O termo lean começou a ser aplicado ainda na década de 1980, como “Lean Manufacturing”, ou Manufatura Enxuta. Até aquele tempo, a filosofia estava voltada para a otimização da produção de veículos da indústria japonesa.

Porém, quem popularizou a técnica foi o professor James P. Womack, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ao publicar o livro A Máquina que Mudou o Mundo, em 1990. Nesse livro, Womack expôs seu estudo sobre a indústria automobilística – especialmente a Toyota.

A filosofia lean é, basicamente, uma procura constante pela eficiência e prioriza a integração dos colaboradores. Traduzida ao pé da letra, a expressão lean pode ser entendida como “enxuta”. Basicamente, esse método estabelece a utilização de nada mais do que os recursos necessários para efetuar um trabalho específico, fase ou processo, cortando desperdícios.
A grande sacada desse sistema é favorecer a disponibilização de novos produtos no mercado.

Filosofia Lean

O professor associado da Universidade de Stanford, Steve Blank afirmou, em um artigo para a Harvard Business Review, que a técnica baseia-se em três fundamentos principais:

Enxugar o modelo de negócios: o professor de Stanford explica que, na filosofia lean, a construção de um extenso relatório de plano de negócios é substituída pela utilização de uma ferramenta chamada Canvas para montar o business model. Basicamente, essa ferramenta refere-se a um diagrama que demonstra como a empresa cria valor para si mesma e para seus clientes.

Testar as possibilidades: depois de definir tudo com o Canvas, está na hora de testar as possibilidades com uma técnica conhecida como “desenvolvimento com clientes”, ou customer development. Para tanto, é necessário trocar informações com usuários potenciais, compradores e parceiros para captar suas opiniões sobre todos os aspectos do modelo de negócios. Esse ponto envolve características do produto, de preços, dos canais de distribuição e das estratégias econômicas de aquisição de clientes.

Adotar o desenvolvimento ágil: segundo Steve Blank, por fim, a metodologia enxuta recomenda a implementação do “desenvolvimento ágil” em sua empresa. São técnicas que monitoram o desenvolvimento com o cliente. Nessa etapa, a perda de tempo e de recursos são eliminados graças à criação interativa e incremental do produto.
O sistema lean, como modelo de gestão, pode gerar resultados financeiros, porque elimina desperdícios e aumenta agregação de valor, ampliando a produtividade do capital empregado em inventários ou ativos. Esse sistema pode ser implementado com foco na gestão de manufatura, da qualidade, da logística e no desenvolvimento de processos e de produtos, e até na vida pessoal.

Para aplicar essa técnica nas organizações, é fundamental criar uma disciplina para estimular constantemente os colaboradores a aprenderem a enxergar os problemas e buscar soluções. Da mesma maneira, é essencial desenvolver os gestores para que atuem como coach, com a meta de que todos enxerguem os processos produtivos com a visão de empreendedores do negócio, buscando melhoria constante.

A sustentabilidade do negócio é outro ponto que a filosofia lean permite alcançar. Ela pode ser usada como instrumento para obter acesso a recursos financeiros de baixo custo, provenientes da operação em si, expandindo a produtividade do capital investido. Ele possibilita simultaneamente a conquista e encantamento de clientes e o desenvolvimento dos colaboradores internos.

Aplicando a filosofia lean, a tendência é que as companhias tornem-se mais sustentáveis, o que a cada dia é mais importante. Não somente para as empresas, mas também para o desenvolvimento da economia brasileira.